A IDÉIA QUE A MAIORIA DAS PESSOAS TEM SOBRE O TRABALHO
DO DIPLOMATA nÃO coRRESPONDE TOTALMENTE À REALIDADE.


A maioria das pessoas não tem idéia clara do trabalho do diplomata. Para uns, trata-se de burocrata bem pago pelo Tesouro para freqüentar festas e recepções requintadas, viajar pelo mundo para divulgar o país, a cultura, os produtos e os serviços das empresas brasileiras, assistir a reuniões intermináveis para discutir a posição de uma vírgula, enfim, o diplomata seria pouco mais que um parasita. Para Vernon Walter, misto de militar e diplomata norte-americano: “ What’s the difference between the diplomat and the military man. The answer is… they both do nothing, but the military gets up very early in the morning to do it with great discipline, while the diplomat does it late in the afternoon, in utter confusion”.

Muitos se indagam sobre o papel que caberia ao diplomata num mundo globalizado, com comunicações instantâneas, e meios de transporte que reduzem as distâncias a níveis jamais sonhados. Alguns questionam qual das tradicionais funções do diplomata (representar, informar e negociar) ainda faz sentido no mundo de hoje. Argumentam que a representação pode ser exercida por qualquer personalidade designada “ad hoc”. A informação é transmitida, em tempo real, pela internet e outros meios de comunicação. A negociação sofisticou-se a tal ponto que escapa à compreensão do diplomata e do cidadão comuns. Concluem que já não sobra espaço de atuação para o diplomata, que viu esvair-se, nos ventos das transformações tecnológicas, o mundo dourado em que vivia.

O questionamento do papel do diplomata decorre de uma visão míope e anacrônica do trabalho que se exige desse profissional. O mundo mudou e, com ele, o perfil do diplomata. Nos dias de hoje, a representação implica o dever de buscar a informação, e esta, por sua vez, requer a capacidade de compreensão e de análise de cada situação. A mídia, em geral, e a internet, em particular, não podem substituir satisfatoriamente o olhar crítico do agente diplomático, que tudo observa com os óculos do interesse nacional. A sofisticação do processo negociador nas tratativas bilaterais e nos foros multilaterais não pode dispensar o concurso de um personagem formado nas lides do embate dialético de idéias e que, como o bom enxadrista, consegue perceber de longe o alcance de cada jogada.

O mundo de hoje apresenta inúmeros desafios: segurança internacional, meio ambiente, energia, direitos humanos, fome, terrorismo, genocídios, problemas fronteiriços, só para citar alguns. O Brasil tem sido um importante ator em quase todos os foros em que se discutem as grandes questões internacionais. Como disse o Ministro Celso Amorim: “O Brasil precisa realmente se afirmar. Não deve ter vergonha de se afirmar”. Para isso, não pode prescindir do diplomata.

 
 
 
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